Os autismos nos ensinam: há sempre uma passagem secreta, até ser comunicada

O Dia Mundial de Conscientização do Autismo foi celebrado na última quinta-feira (02 de abril). Nesse momento histórico de isolamento social, todos nós, em alguma medida, podemos sentir na pele uma parcela do sofrimento desses sujeitos que, muitas das vezes, não conseguem se comunicar com o outro. 
O isolamento é penoso, dele queremos nos desvencilhar, e com os autistas não é diferente. Diariamente, testemunhamos no Centro de Atendimento e Inclusão Social (CAIS) o esforço dessas crianças para construir um modo de romper essa barreira. 
Certa ocasião, iniciando-se o atendimento, observamos uma criança que, todos os dias, se fechava dentro de uma casinha de brinquedos. Após meses de repetição do ato, o menino então contou que, ali, havia uma “passagem secreta”. Perguntado se poderia usar dessa passagem para vir jogar futebol com a psicóloga, o menino descobriu uma primeira abertura. Dali em diante, passou a criar muitas outras “passagens secretas”, sempre visando a encontrar o outro e, assim, construir um lugar próprio no mundo exterior. 
Ao escutarmos os autistas, podemos apreender valiosos ensinamentos, sobre como inventar novas “passagens”, retirando-as do anonimato para criar formas inéditas de laços. Diante do atual contexto, essa experiência, mais do que nunca, nos serve como um orientador: sempre há uma passagem a ser comunicada. 
Assim, permanecemos, atentos, aos modos como cada um de nossos clientes e suas famílias nos indicarão a passagem possível para seguir com o tratamento. Seja por mensagens de whatsapp, conversas por vídeo ou telefone, sustentamos o nosso compromisso na escuta da palavra, ainda mais importante nesse momento de drástica mudança dos laços e formas de comunicação.

 

 

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© 2016 por CAIS  Centro de Atendimento e Inclusão Social.

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